Y é o X da questão

Geração Y

Geração Y

A primeira vez que ouvi falar de Geração Y foi no Portal da Revista EXAME, quando eles fizeram a primeira pesquisa sobre os tais profissionais impacientes, infiéis e insubordinados, os “ipisilons”, que estavam desembarcando no mercado de trabalho e gerando a maior confusão em pequenas, médias e grandes empresas, nacionais e internacionais.

Um ano mais tarde, organizei um Forum de Líderes com Pedro Carvalho da Authent e trouxemos Bob Wollheim para falar sobre esses “monstrinhos” para um grupo de empresários. Bob arrasou! E eu me apaixonei pelo tema.

De lá para cá, as coisas parecem ter mudado: para pior. O preconceito das gerações anteriores – Tradicionalistas (nascidos antes de 1946), Baby Boomers (1946-1964) e da Geração X (1965-1976) – só fez acirrar as relações e de nada tem contribuído para o aumento da atratividade, retenção e produtividade desta nova força no mercado de trabalho.

O primeiro passo para mudar esta situação todo mundo sabe: conhecer, fuçar, aprender, googar. Poucos dão. Muitos esbravejam. Enfurecer com “impacientes e insubordinados” não vai mudar nada, mas pode piorar muito.

E nem bem começamos a tentar entender a Geração Y e a Z já está a caminho! Em menos de 1 década, os nascidos após 1997, que tem hoje de até 12 anos, estarão estressando ainda mais as atuais esgarçadas relações com as gerações que estão hoje no poder. Diga-se de passagem, que já conhecemos 2 representantes da Geração Z muito bem empregadas: Sasha, filha de Xuxa e Maísa, do SBT.

O que temos pela frente? Muito esforço para a tolerância, trabalho e dinheiro em pesquisa. Afinal, a Geração Y já representa 47% da força de trabalho no Brasil. A título de curiosidade, esta proporção só será alcançada nos Estados Unidos, em 2020! Talvez seja esta a explicação deste assunto não ser tão explosivo em nossa mídia. Se os EUA ostentassem hoje esta proporção, estaríamos ouvindo a ladainha da Geração Y muito mais estridente e constantemente, com muitos gurus gringos palestrando por aqui. Hoje, o assunto lá ainda está na categoria de estudos futuros: “o que vai acontecer em 2020, quando a geração Y representar 50% da força de trabalho?”

Tenho colhido depoimentos bacanas de quem experimentou o primeiro passo para entender a distância entre essas gerações: “me deu mais informações e subsídios para compreender melhor os meus filhos adolescentes”, “me clareou certos conceitos a respeito das gerações X e Y”.

Não se iluda, esta definitivamente não é apenas mais uma rusga de gerações. É a mais abissal!

A palestra 5 Gerações no Mercado de trabalho: Y é o X da questão é minha nova palestra e foi ministrada em março para diretores de RH, no CRA e na Semana do Jovem Empreendedor. Em 2 semanas teve mais de 1.000 acessos no slideshare.
Interessado no assunto? Para acessar o resumo da palestra clique http://bit.ly/9NY581

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3 comments

  1. Penso que estes rótulos de gerações só servem para criar um mercado de livros e palestras e que acrescentam muito pouco ao entendimento das relações no ambiente de trabalho. Além de ser uma simplificação, se baseia numa suposta realidade americana. Aprendi a ser cético com relação aos gurus made in USA. Trabalhando desde 1965, meu rótulo seria “Tradicionalista”, estou hoje numa empresa de engenharia em franca expansão e contratando algumas dezenas de jovens engenheiros e engenheiras. Eles estão muito distantes de serem infiéis, impacientes e insubordinados. Não vejo neles muita diferença de minha geração quando jovem. Talvez a diferença marcante seja o engajamento político, que hoje me parece ausente. Mas naquela época tinhamos a esperança de nos livrar de uma ditadura, restaurar os valores democráticos e a ética na política.

  2. Jairo, que bacana que minha palestra está dando pano pra manga!
    Você teve acesso a um resumo dos slides da minha palestra. E você sabe que uma palestra não é exatamente um slideshow. Eu, por exemplo começo essa palestra exatamente apontando para o fato de que uma Classificação (5 gerações) é sempre uma maneira de Simplificar coisas.
    Mas, por outro lado, nos proporciona um olhar sobre uma certa organização de ideias. E, justamente porque o meu tema NÃO enfatiza idades e sim mentalidades, uma pessoa pode ser da Geração Y e ser “mais velha” que alguém da X. Outra coisa, que talvez fique deturpada – quando apenas se “lê” os slides-, é que eu aponto na palestra que é um PRECONCEITO achar que a Geração Y é feita de jovens “infiéis, impacientes e insubordinados”. Ou seja: concordamos. Enfim, a minha ideia aqui era apenas esclarecer alguns pontos que são colocados de forma irônica na palestra e que não passam num simples resumo de slides. Porém, Jairo, não se iluda: esta não é apenas mais uma geração de jovens rebeldes como todas as outras. Essa é a geração que vai viver a maior parte de sua vida em outra Era. Numa Era cujo nome ainda não sabemos qual será (Informação? Digital? Ubiqua?). Não importa. O que importa é que não é a Era Industrial. E, portanto, tem próprios e novos valores. Tem novas formas de produzir e, consequentemente, novas formas de se relacionar e produzir conhecimento. Quem achar que é só mais uma leva de jovens chegando ao mercado está ficando lá pra trás, lá naquela Era Insdustrial.

  3. Beia,

    Obrigado pelos esclarecimentos. Realmente, meus comentários se basearam numa visão parcial de seu trabalho. Concordo plenamente que estamos todos num momento crucial na história da humanidade, em que temos uma vaga ideia do futuro que se aproxima a toda velocidade. Creio que o Homem (e a Mulher, para ser politicamente corrreto) está passando por um momento tão transformador como aquele em que o caçador nomâde tornou-se um agricultor, se fixou e criou a Cidade. Considero-me um privilegiado em viver este momento, ainda sem nome e sem forma definida.

    Parabéns pela proposta de trabalho, beijos e vamos em frente.

    Jairo

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